Queimadas

Prefeito acusa grileiros e policiais de causar incêndios em Santarém no Pará.

No áudio, Aguiar afirma que a área em chamas é uma “área de invasores”, onde “o povo anda armado”, dificultando a ação do Corpo de Bombeiros. O prefeito também menciona a participação de policiais nas invasões e loteamento de terras sob proteção.

02/12/2019 13h45Atualizado há 6 dias
Por: Redação Sou de Palmas - A sua fonte de notícias!
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O prefeito de Santarém (PA), Nélio Aguiar (DEM), alertou o governador do Pará, Helder Barbalho, ainda em setembro, de que a queimada que destruiu parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão foi provocada por “gente tocando fogo para depois fazer loteamento e vender terreno”.

O aviso foi feito por mensagem de áudio que Aguiar enviou a Barbalho. Segundo a organização não governamental (ong) Repórter Brasil, que a obteve e divulgou seu conteúdo, a comunicação foi feita em 15 de setembro, quando um incêndio de grandes proporções consumia parte da unidade de conservação florestal.

No áudio, Aguiar afirma que a área em chamas é uma “área de invasores”, onde “o povo anda armado”, dificultando a ação do Corpo de Bombeiros. O prefeito também menciona a participação de policiais nas invasões e loteamento de terras sob proteção.

“Os Bombeiros só estão lá com a brigada, mas não está indo lá. Já falei para o coronel Tito que precisa ir o Bombeiro e combater o fogo imediatamente, pois está muito seco aqui, muito sol”, relata o prefeito.“A Companhia Ambiental, a Polícia Militar, precisa ir junto, armada, para identificar estes criminosos. Isto é gente tocando fogo para depois poder fazer loteamento, vender terrenos. Temos que prender uns líderes destes, prender estes criminosos, e acabar com esta situação. Para isso, precisamos do apoio do Corpo de Bombeiros e do estado do Pará”, reivindica o prefeito.

Em nota divulgada hoje (2), a prefeitura confirma que Aguiar pediu ajuda ao governador e a outros parceiros, mas pontuou que a compreensão do teor do áudio divulgado pela imprensa “carece da contextualização da conversa”. “Na oportunidade, foram repassadas ao governador informações recebidas de comunitários que moram na região. O objetivo foi manter o governador informado para repasse aos órgãos de segurança do estado e conseguir ajuda. Em nenhum momento houve a afirmação de condenar, acusar ou responsabilizar alguém”.

Também por meio de nota divulgada nesta segunda-feira, o governo estadual confirma que Barbalho recebeu a mensagem enviada por Aguiar. “O Governo do Pará esclarece que [...] assim que recebeu a solicitação, o governador Helder Barbalho determinou que o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar dessem suporte à operação de combate ao incêndio – o que foi feito. Todos os recursos foram disponibilizados, inclusive aeronave de combate a incêndios florestais. Não houve nenhum flagrante para que houvesse prisões”, informa o governo paraense, reafirmando que está dando suporte às investigações a cargo da Polícia Civil e também da Polícia Federal.

Os dois inquéritos policiais foram instaurados logo após o início do incêndio na APA Alter do Chão. Após dois meses de investigação, a Polícia Civil do Pará deflagrou, na última terça-feira (26), a Operação Fogo do Sairé, que resultou na prisão preventiva de quatro brigadistas suspeitos de participação nos incêndios.

Segundo a Polícia Civil, os quatro brigadistas são suspeitos de causar os incêndios que atingiram a Área de Proteção Ambiental para se autopromover e, assim, obter donativos em dinheiro de outras organizações não governamentais, entre elas a WWF-Brasil. Ainda de acordo com a Polícia Civil, os brigadistas também obteriam dinheiro vendendo imagens da floresta em chamas. No dia em que a Operação Fogo do Sairé deflagrou a Operação Fogo do Sairé com autorização da Justiça estadual, o diretor de Polícia do Interior, delegado José Humberto de Mello, afirmou à Agência Brasil que parte destes recursos teriam sido doados pela fundação mantida pelo ator norte-americano Leonardo DiCaprio.

A investigação da Polícia Federal (PF), segundo a Procuradoria da República no Pará, segue outra linha de apuração. Em nota, o MPF sustenta que, por enquanto, a apuração federal não apontou suspeitos e que “nenhum elemento [prova] apontava para a participação de brigadistas ou organizações da sociedade civil” nos incêndios.

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