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Na região do Jalapão, os artesãos começaram nesta semana a colheita de capim dourado para a fabricação de peças artesanais. Por causa da pandemia, a programação foi alterada e por isso a Festa da Colheita não será realizada.

A fabricação de joias, bolsas e objetos de decoração com o capim dourado é uma tradição centenária da região passada entre as gerações. As peças têm ganhado ainda mais destaque nos últimos anos, inclusive após a exibição da nove ‘O outro Lado do Paraíso’, em 2017.

A professora Sirlene Mattos da Silva, que faz parte da Associação Extrativista do Povoado Mumbuca, conta que neste ano a colheita do capim precisou passar por mudanças devido à pandemia.

“A colheita no campo começa no dia 20. Hoje os moradores do quilombo Mumbuca já saíram para o campo para coletar o capim dourado. Só que nós estamos indo em quantidade menor para não fazer aglomeração. Mesmo estando dentro de um quilombo, a gente tem essa preocupação de não estar em quantidade maior porque no campo a gente fica em grupos e tudo é coletivo, a comida é coletiva, o acampamento é coletivo”, relatou.

A pandemia também levou ao cancelamento da Festa da Colheita do Capim Dourado. “A Festa da Colheita começa no dia 11 porque é o Dia do Cerrado, em parceria com escolas e pesquisadores que vêm apresentar seus trabalhos acadêmicos. Só que neste ano a gente não vai ter a festa da colheita do capim dourado.”

Segundo a professora, a festa vinha crescendo bastante nos últimos anos e o cancelamento vai prejudicar a economia da região.

“Com certeza a pandemia prejudicou porque a cada ano que acontece a Festa da Colheita a gente percebe que vai aumentando o número de visitantes. Neste ano a gente estava com muita procura pelo evento, muitas pessoas entrando em contato pelo Instagram, pelo Facebook, dizendo que iam estar no evento. A gente acredita que a pandemia prejudicou tanto a festa quanto a venda do capim dourado.”

Período da colheita

A colheita do capim dourado é regulamentada por lei estadual, tendo início no dia 20 de setembro e seguindo até 30 de outubro. Como a quantidade de capim é muito limitada, a retirada é realizada apenas uma vez por ano entre os meses de setembro e novembro.

Os artesãos sabem a hora certa da colheita pela coloração do capim. Quando ele está maduro, ele fica todo dourado e seco, soltando com facilidade da roseta no solo.

No fim do ano passado, o governo do Tocantins criou a Política Estadual do Uso sustentável do Capim Dourado e do Buriti. A lei foi criada para manter o uso sustentável dessa matéria prima que faz parte de um rico e sensível bioma do Parque Estadual do Jalapão.

A professora Sirlene Mattos vive dentro do quilombo Mumbuca, na cidade de Mateiros, e conta que a quantidade de capim vem diminuindo nos últimos anos pelas mudanças climáticas, incêndios florestais e até pelas pessoas que fazem a colheita clandestina.

“As queimadas, a chuva, tudo contribui para o crescimento e quantidade do capim dourado. A gente percebe que todo ano vai diminuindo a quantidade até porque vai aumentando a quantidade de artesãos. Também aumenta o número de clandestinos que colhem verde, não espera a época certa para coletar. Tudo isso tem prejudicado a maior quantidade do capim dourado na região do Jalapão”, lamentou.

De acordo com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), atualmente, 538 extrativistas de oito associações estão autorizados para trabalharem nos campos de coleta do capim dourado.

As associações precisam de um documento emitido pelo órgão para fazer a colheita anual. Desde novembro as equipes do Naturatins vêm intensificando a fiscalização na da Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão e no Parque Estadual do Jalapão (PEJ) para monitorar a coleta e coibir atividades irregulares.


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